POESIA:
O ENIGMA DOS NAMORADOS
POR: ALESSANDRA LUCHINNI
Tem coisa que parece óbvia, mas precisa ser dita. Como: "te amo”, “que bom que você está aqui", "você me faz bem". A gente acha que o outro sabe e até sabe - mas tem palavras que precisam sair da boca pra entrar de verdade no coração. Amor, por mais robusto que seja, precisa de colo. E de leveza.
Porque amar dá trabalho, mas não pode parecer expediente. Requer uma certa responsabilidade descomplicada - como quem carrega uma taça cheia sem derramar, dançando. Tem que cuidar, mas sem sufocar. Levar a sério, mas sem pesar. Amar é ser responsável pelo destino do outro... com a delicadeza de quem sopra uma ferida pra sarar mais rápido.
Por isso, diga. Celebre. Cuide com leveza. E se tudo der certo, vocês vão passar a vida inteira descobrindo juntos o que já sabiam desde o começo.
E por falar em datas: comemore. Faça um café da manhã com pão fora do ponto, escreva bilhete bobo, abrace mais do que precisa. As datas são só desculpas do tempo pra lembrar a gente do que nunca devia ser esquecido. O amor também tem calendário, mas às vezes se esconde na terça-feira comum, na mensagem no meio do dia, no silêncio confortável de dois que se conhecem até no silêncio.
Namorado, em inglês, é boyfriend. E aí mora a pista de tudo: melhor amigo pra sempre. Talvez o grande enigma seja mesmo esse a gente dorme no ombro da amizade e acorda nos braços do amor. E nem percebe quando atravessou a linha, porque no fundo ela nunca existiu.
Por isso, diga. Celebre. Cuide com leveza. E se tudo der certo, vocês vão passar a vida inteira descobrindo juntos o que já sabiam desde o começo.
POR: Alessandra Luchinnci

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